domingo, 26 de abril de 2009

As mulheres e o pornô

Há tempos que queria fazer um post sobre o tema, mas como meus conhecimentos na área são pobres e a única matéria que eu havia lido era bastante restrita, resolvi por deixá-lo de lado. Contudo, semanas atrás a revista Época trouxe um material suficiente para, ao menos, fazer uma introdução, ou uma iniciação, sobre os filmes pornôs femininos.

O número de mulheres que vem consumindo materiais eróticos está cada vez maior, do mesmo modo que suas exigências têm tomado os olhos da indústria pornográfica, que é de incontestável maioria masculina – não só a indústria, como o próprio público, ainda. Mas esse cenário está mudando com o número cada vez maior de consumidoras.

Atentas para atender este nicho, mulheres estão se especializando nas produções de filmes pornográficos denominados feministas. As diretoras desses filmes buscam não só alcançar os desejos de seu público mulheril, mas também demonstrar ao universo masculino quais são os prazeres das mulheres. É uma verdadeira reação ao machismo cru.
ÉPOCA – O que representa essa onda de filmes pornôs feitos para mulheres?
Petra – É uma revolução que está acontecendo, principalmente na Europa. E é enorme. As mulheres estão pegando as câmeras, estão no controle e estão dizendo “agora nós queremos imagens que podemos aproveitar para nos masturbar, para fazer sexo com nossos parceiros. Queremos imagens que mostrem as mulheres com respeito, queremos ver homens muito atraentes, queremos filmes bem feitos”.

Paradigmaticamente, pornôs tradicionais atendem aos desejos masculinos, em que aparecem mulheres submissas, com rostos e corpos de vulgaridades exageradas, utilizando parcos recursos, enquanto os pornôs feministas trazem atrizes que as mulheres possam se identificar, homens charmosos, tramas mais elaboradas e produções mais refinadas.
No entanto, com o aumento do número de mulheres dirigindo filmes pornográficos, deve se analisar com cautelas os estereótipos definidos acima. Inicialmente, tem-se como regra que diretoras fazem filmes para mulheres naqueles moldes. Nem todas, nem sempre.
Cândida Royalle, assim como Petra Joy, faz duras críticas àquelas que colocam o título de filme feminista só por ter como diretora uma mulher, sendo que o conteúdo e a forma do filme não se diferencia dos pornôs comuns.
ÉPOCA – A senhora foi uma pioneira do pornô para mulheres. Sente-se orgulhosa da nova geração de diretoras feministas?
Candida – Sinto-me muito orgulhosa, claro. Há algumas mulheres na Europa que estão fazendo coisas muito inovadoras, como a alemã Petra Joy, da Strawberry Seductress, e a sueca Erika Lust, da Lust Films. Mas estou um pouco desapontada porque o trabalho de algumas mulheres que estão entrando no mundo dos filmes adultos não é assim tão diferente do pornô comum. Alguns desses filmes são um pouco grosseiros e muito explícitos. É difícil ver alguma diferença em relação aos pornôs comuns. E isso é muito irritante. Infelizmente, algumas pessoas acham que apenas colocar o nome de uma mulher como diretora torna o filme feminista.

Particularmente, não vejo problema em mulheres quererem voltar-se para um público diferenciado das tradicionais (ou nem tanto...) diretoras. O que parece ao fazerem tal crítica, é que todas as mulheres são iguais. Não são. Do mesmo modo que nem todos os homens são iguais. Se há homens que se interessam pelo que elas chamam de pornôs feministas, também há mulheres que podem se interessar por algo mais explícito. Enfim, como é algo quase que embrionário ainda, há muito o que se desenvolver e há muitas vertentes por se preencher para atender um público ainda tímido de mulheres (tão tímido que no Brasil, segundo a reportagem, a Abeme – Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico – na “primeira premiação de filmes pornográficos do Brasil, teve de desistir de criar uma categoria de produções dirigida às mulheres”)

Mas a ideia de “lutar por liberdade sexual” demonstrando o que as mulheres desejam no sexo é extremamente interessante, embora não se deva levar tão a rixa, como Petra Joy parece incitar. A bandeira feminista levantada por ela não deve ter por objetivo o cisma entre sexos, mas a interação e integração. Separar categoricamente que mulheres devem produzir filmes para mulheres de maneira X não é lutar por liberdade sexual, é restringir as áreas em que as mulheres podem atuar.

Por fim, se dizem que tudo o que poderia se produzir no cinema já foi feito, creio que, na minha pífia opinião na área, o cinema pornográfico ainda tem muito a oferecer...


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Matéria completa: Pornô feito por mulheres para mulheres (é bem interessante a reportagem, vale a pena ler inteira)

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