quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Preciosa

Não era sobre isso que pretendia falar no post, mas acabei de assistir Preciosa e sinto a necessidade de compartilhar com o mundo, já que ele é um dos indicados ao Oscar de melhor filme.
Sinopse não vou me dar ao trabalho de fazer não, se quiserem, leiam esta que peguei no adorocinema.com:

1987, Nova York, bairro do Harlem. Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo'Nique), ela cresce irritada e sem qualquer tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem um filho apelidado de "Mongo", por ser portador de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.
Então vamos para o que eu realmente quero falar! (mas atenção! se você ainda não viu o filme e não gosta de gente de adiantando informações, não leia! não é nada de muito spoiler não, até assistirão à sinopse sem grandes surpresas...)

Achei o filme muito bom mesmo, apesar de algumas opiniões contrárias que li por aí (leia-se via Filmow). As maiores críticas foram direcionadas aos efeitos toscos e à quebra da dramaticidade do filme com algumas cenas. Dis-cor-do!
Primeiro, porque os efeitos "toscos" são justamente para aperfeiçoar o modo como a história será mostrada, já que, veja bem, o filme retrata a vida da Precious, que é negra, gorda, com dificuldade de aprendizado, assediada moralmente pela mãe e sexualmente pelo pai, de quem está grávida de seu segundo filho (sendo que a primeira criança é retardada) e esses efeitos são usados quando passamos da realidade de Precious para à sua mente. Por exemplo, logo no início do filme, temos o pai da protagonista estuprando-a e, naquele momento, a câmera sai da imagem do homem em cima da personagem e vira um teto de madeira desmoronando para, depois, cair no sonho dela, com roupa bonita, sorrindo, totalmente hollywoodiamente glamourosa querida e todas as pessoas querendo chegar perto dela, saber como ela está, como uma verdadeira celebridade. A cena do teto é, sim, grotesca, do mesmo modo que o corte para o sonho extravagante e irreal é pobre. Pois justifico: como exigir que a personagem imagine algo mais esteticamente delicado ou sutil? Não dá! E eu acho que é por causa desses cortes "feios" e efeitos "podres" que o filme ficou bonito, esteticamente falando, já que é um conjunto que a gente tem pra interpretar.
Quanto às cenas que quebram a dramaticidade da história, também achei legal. As "quebras" são decorrentes das cenas de fantasia e o foco em personagens secundários, o que acho totalmente pertinente, uma vez que mostra quais os escapismos da personagem. Ou seja, ela mantém a vida dela porque tem esses sonhos e porque ela encontrou com pessoas diferentes que preenchem sua vida.
Pra ter uma ideia, criticaram até a combinação de cores! Porra meu! Não vejo problema algum um filme apresentar contrastes bonitos de cores! É como falar: sinto muito, mas apenas o cinema europeu e alguns asiáticos podem fazer uso de cores nos filmes. Ah, por favor...
Não tô dizendo que Lee Daniels ficará um diretor foda a partir deste filme, mas tem que ter um pouco de sensibilidade, aceitar um pouco ideias diferentes para se contar um mesmo gênero. Se quer simples drama, vá assistir aquele "Sete Vidas" (nada contra! eu assisti e gostei, tem uma boa história e a conta de uma forma normal - e Will Smith está ótimo!).
E se Preciosa tivesse lançado ano passado, mereceria o Oscar! Francamente, "Quem quer ser um milionário" é fraco de tudo (exceto trilha sonora!)! Mas este ano, por enquanto, eu torço por "Bastardos Inglórios" (posso mudar, porque ainda tem uns filmes que quero ver até o dia 7).

Maaas uma coisa que até agora eu não vi quem não concordasse foi a atuação dos atores, que está óóótima! Gabourey Sidibe (Preciosa), Paula Pstton (professora da escola alternativa) e até Mariah Carey e Lenny Kravitz! Ninguém deixou a desejar. E, claro claro claro, Mo'nique (mãe da Preciosa), que está simplesmente muito foda! Em uma das primeiras cenas, ela falou mais motherfucker que um personagem do Tarantino! hahaha Tá muuuito boa! Não se compara com a atuação da Vera Farmiga e da outra lá de "Up in the air" (que concorrem na categoria de atrizes coadjuvantes), que não fizeram nada comparado ao que foi exigido de Mo'nique neste filme.

Bom, taí então! Fica a dica de filme pra esses dias!

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