quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sobre adaptações para o cinema

ou Crítica das críticas

Atenção! Este post é um desabafo e contém somente opiniões desta que vos escreve.

Depois que entrei no Filmow, comecei a ler as opiniões dos outros usuários sobre os filmes vistos e a ver por mim, e passei a me revoltar com algumas ideias constantes. A principal e a mais evidente é as reclamações quanto aos filmes baseados em livros.
Provavelmente todo mundo já leu/escutou e talvez até disse algo no seguinte sentido: "O filme é ruim, porque não é fiel ao livro". Pois bem, digo logo e claramente o meu posicionamento sobre o tema: à porra o livro!!!

Calma! Me explico!


Primeiro ponto: não dou a mínima quando dizem: "prefiro o livro" ou "prefiro o filme"... Bom, na verdade, na verdade (!) me incomoda um pouquinho, mas relevo, já que é difícil não comparar quando há duas obras que versam sobre o mesmo objeto e até eu me pego fazendo isso. Portanto, que fique claro que não sou avessa a comparações e nem desejo ver filmes/ ler livros com a cabeça totalmente liberta de qualquer referência anterior. Ao contrário, me agrada muito quando diretores e escritores mixam suas preferências em uma obra, eu sinto como se fosse uma homenagem...
O ponto não é esse.

Minha birra é quando a crítica é direcionada ao filme, porque o guri (a) quer que o diretor faça um filme tal qual o livro e se assim não for, logo é tido como ruim. Sério, me irrita muito esse tipo de comentário...
As pessoas têm que ter consciência que escritor e diretor são artistas diferentes e trabalham com obras diferentes. Será que é difícil entender que a beleza de um livro não é a mesma beleza de um filme? Que as mensagens que eles querem (ou não) passar são processadas pelo nosso cérebro de forma diversa? É difícil entender que escritor-livro é uma obra e diretor-filme é outra e que, por isso, suas são necessariamente diferente? Tipo, isso se chama lógica, caramba! São mundos diferentes.

Temos que ter cautela ao comparar qualquer coisa. Até mesmo quando a arte é, inicialmente, a mesma: dois pintores, dois escritores, dois diretores, e assim vai. Por exemplo, como dizer que Van Gogh, porque impressionista, ocupa no hall de pintores posição inferior ao do Michelangelo? Gente, não dá! O que acontece é que nós nos identificamos com determinados estilos - e só. Não quer dizer que estilo outro é ruim.
Uma vez me disseram sobre a hipótese de um filme dirigido por Tarantino, Burton e Almodovar - todos quase deuses do cinema contemporâneo. Na hora, fi quei muito impressionada: "Poha, só pode sair uma coisa maluca de boa! Embora eu não consiga imaginar na-da". Mas daí, depois de pensar um tanto, não dá mesmo! São estilos diferentes demais pra colocar num mesmo filme. Do mesmo jeito que não dá pra coloca numa mesma tela Dali, Van Gogh e Da Vinci.

E, pense bem, se até com uma mesma arte há uma dificuldade imensa de criar um híbrido coerente ou compará-las entre si, imagina com duas artes distintas? No nosso caso, um livro e um filme?
Aí me dirão: ah, mas filme precisa de um roteiro e roteiro é escrita e escrita é livro. Porra mermão! Não!

Há livros que se encaixam como uma luva em um filme. Best-sellers, em regra, assim são, porque são livros que geralmente contam histórias extremamente interessantes e lineares, em que estão praticamente expurgados de estilo literário. Tá, um conta de forma mais frenética, outro prefere dissolver mais a trama... O que os aproxima, talvez, de um roteiro mesmo, embora isso não vincule o processo criativo do diretor (a não ser que ele tenha sido pago pra fazer tal qual o livro, ou tal qual seu produtor mandou...).

Mas diretor é, sim, artista e, na minha opinião, não pode se limitar ao papel. O negócio dele é com a tela. Óbvio que há uma segunda análise a ser feita: qual a proposta do diretor? é ser fiel e recontar o livro? é fazer poesia do audio-visual da história? é focar em um dos personagens? é focar em uma das ideias trazidas? Ou seja, a que se propõe o filme?
Aí vamos aos exemplos: O Iluminado de Stephen King (aliás, Stephen King é o cara dos livros adaptados, né?), que foi adaptado duas vezes para o cinema. Por acaso o filme de Kubrick é ruim, porque ligou um foda-se pro que o livro contava? O que Kubrick queria?

Portanto, antes de criticar qualquer resultado do esforço de outra pessoa, reflita sobre o que ele queria e não no que você esperava...

[muitos dias depois...]
Comecei a fazer este post há muitos e muitos dias atrás, num acesso de inconformismo e não terminei, deixei no rascunho aqui no blog.
Hoje, a raiva passou e, portanto, vou terminar o post com aquele parágrafo ali em cima mesmo. Não é o ideal de um fechamento, mas como cansei e o objetivo - que era o próprio desabafo - foi cumprido, então...

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