sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Literatura Invisível


Em Invisível, Paul Auster retorna à sua cidade fetiche e foca acontecimentos da vida de um jovem, estudante da Universidade de Columbia, na primavera-verão de 1967. Aplaudido pela crítica mundial, o livro é escrito com a costumeira elegância do autor, que não perde a mão mesmo abordando questões polêmicas, como incesto e relações tumultuadas.
O narrador, Adam Walker, é um menino prodígio que tem a vida mudada a partir de um suspeito encontro com um casal estrangeiro, que o convida para dirigir uma revista literária. A partir daí o protagonista se enreda na teia cada vez mais complicada do casal, formado por Rudolf Born (suíço e professor da universidade) e sua mulher, a linda francesa Margot, que introduz o jovem no mundo dos prazeres e jogos eróticos.
A história flui cheia de mistérios, mulheres sedutoras e muitas atitudes suspeitas, que só serão esclarecidas nos momentos finais do livro, e é narrada por um Walker já com mais de 60 anos, incapaz de dar conta da complexidade da sua própria aventura da juventude agora revisitada nos meandros da memória e nos limites da linguagem.
Nessa empreitada, ele retoma temas dolorosos e personagens de seu passado, como Jim, antigo colega que se tornou um grande escritor e a quem Walker quer confiar seus manuscritos, a irmã Gwyn, por quem ele sentiu um terrível desejo incestuoso e viveu uma relação de dependência doentia, além de Cécile, enteada francesa de Born que manteve um diário dos tempos que conheceu e se apaixonou por Walker e que se torna peça fundamental para o entendimento da narrativa.
Nesse romance sensível, Auster desenha um painel delicado de personalidades fortes e tempos narrativos que aceleram o ritmo da leitura e prendem o leitor nas aventuras desse personagem único e tão cheio de histórias que ele não hesita em compartilhar.

Bom dia!
@diogotosatto

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